31 outubro 2010

Inexorabilidade

Ano passado eu perdi meu pai depois de três anos em coma por causa de um acidente besta. Há algumas semanas perdi meu tio e padrinho, que além disso tudo era melhor amigo do meu pai.
A morte dele foi um susto. Ele começou a emagrecer e um mês depois tinha morrido de um câncer de pâncreas tão fulminante que ele nem chegou a saber o que tinha.
Ele tinha 54 anos. Jovem. Feliz. Animado.
O mais sofrido nisso tudo foi saber que ele estava com medo. Ele sabia que estava doente, não sabia o que era e estava com muito medo.
Quando somos crianças, a morte é uma coisa tão distante... você pode até perder alguém importante mas você se recupera rápido porque a morte não é parte da sua realidade ou do que você imagina que pode acontecer com você.
Mas quando estamos mais velhos, essas perdas invariavelmente nos obriga a encara nossa própria mortalidade. Podia ser eu ou você. Podia ter acabado para mim ou para você. E nós teríamos ido sozinhos porque nessa hora não adianta ter alguém ao seu lado. É a SUA hora.
E isso é extremamente aterrador.
Eu estou diferente depois disso, nem teria como ser de outra maneira. Ainda demoro a dormir pensando no medo que tenho da morte, ainda penso em como deveria não deixar as coisas para amanhã.
Perguntei ao meu namorado se ele não tem medo e como faz para conviver com essa idéia. Ele me disse que simplesmente não pensa nisso.
Eu ainda não consegui deixar de pensar e também não consegui me convencer de que este é o melhor caminho.

3 comentários:

O TIO SUKITA disse...

perdi um amigo com 26 anos faz pouco tempo. ele teve uma febre que não passava foi para o hospital e descobriu que era leucemia. morreu em três ou quatro dias, internado. a parte que deixou todo mundo sem acreditar? o filho dele nasceu uma semana depois. o cara não pôde ver o próprio filho vindo ao mundo. eu sinto muito pelo seu pai, pelo seu tio-padrinho mas essa é a hora em que todos somos iguais, ricos ou pobres. sim, ela visitará a todos nós, eventualmente. beijos!

Neo disse...

Esta coisa de mortalidade é mesmo tensa.
Perdi meu pai quando tinha 22. Hoje tenho 33 e ainda não me acostumei com isso. Quem acostuma né?
Fugindo do assunto, amei o blog e já favoritei pra voltar.
Parabéns.
Grande beijo e sucesso

Neo
Todos os Sentidos.wordpress

Lilly disse...

Bom, eu tenho várias impressões para dividir a esse respeito. Medos em comum, medos superados e a morte, como você mesma citou, inexorável. Para você ver como a gente um dia desperta para essa possibilidade, como o fato me impressionou, criei até um marcador para isso...